quinta-feira, 8 de março de 2012

Sogro e genro: de fornecedor a consumidor

A primeira das três filhas começou a namorar. Inconformado, Pedro não tinha outro assunto com os amigos senão reclamar da novidade. -, sorte sua a Marcelinha ainda não ter idade para namorar. É duro ver um marmanjo abraçando e beijando a filha da gente. -Marcelinha tá pequena ainda, vai demorar um pouco, eu espero! Imagino sua situação! Deve ser duro sim, mas você se lembra quando éramos daquela idade? A melhor coisa que existia era ficar abraçando, beijando e fazendo “ otras cositas más” com a filha dos outros. -Se me lembro. Tempinho bom, aquele! -Toda mulher tem um pai, meu amigo! A sua, a minha... -Isso é verdade! -Pois é, nós não temos direito de reclamar. O tempo passa, e a nossa posição apenas mudou. É como no modelo capitalista, apenas trocamos de função. - Trocamos de função? Não estou te entendendo! -É! Antes éramos consumidores, agora somos fornecedores. Pedro refletiu sobre as palavras do amigo, e em seguida não teve outra saída, a não ser acompanhá-lo na risada!

Luís Caixeiro

Quem conhece o interior de nosso país já deve ter visto as velhas fazendas de estilo colonial, cuja arquitetura remonta a um tempo em que madeira de lei era a principal matéria-prima. Inúmeras janelas, portas de duas tábuas, com portais espessos, e assoalhos. A fazenda de meus avós era assim. Uma casa enorme, com inúmeros quartos, salas e o quartinho que abrigava o oratório de minha avó, Dona Zulmira. A tarefa de fechar aquelas inúmeras janelas, ao anoitecer, e abri-las ao romper do dia ficava a cargo dos filhos mais novos: Jaci e Ari. Incontáveis fechos eram travados e destravados todos os dias. Dona Zulmira mantinha o ritual sob fiscalização constante, pois não gostava de janelas fechadas durante o dia, e muito menos de vê-las abertas durante a noite. Todos se reuniam após o jantar. Naquela noite toda a família estava entretida com os causos de um parente que havia chegado da recém inaugurada Brasília. Já estava escurecendo e bastou um olhar de Dona Zulmira para que os fechadores das janelas entendessem o recado. Muito curiosos em saber o final do causo de um tal de Juscelino, que o parente contava, dividiram a tarefa e correram o mais rápido que puderam fechando e travando todas as janelas. Voltaram a seus lugares, em volta da mesa, ofegantes, mas ainda a tempo de ouvir o final da interessante história. Quando o sono chegou, cada um seguiu para o seu quarto. Quando Jaci entrou em seu quarto e viu que tinha se esquecido de fechar justamente sua janela, levou um susto, deu um empurrão, travou logo o fecho, antes que alguém mais percebesse. Já era tarde quando todas as lamparinas foram apagadas. Jaci insone, ficava pensando no que poderia ter entrado no seu quarto por aquela janela esquecida aberta. Revirava de um lado para o outro e não conseguia dormir. Levantou e foi procurar abrigo no canto da irmã que dormia na cama ao lado, a escuridão era tamanha que era impossível ver alguma coisa, mas conseguiu chegar no local pretendido, com a ajuda do tato e da experiência. Ia para o canto da irmã quase toda noite. Revoltada com Jaci por tê-la acordado, a irmã acabou dando lhe uns empurrões. Quando se agasalhou e já ia pegar no sono, sentiu alguma coisa se mexendo , subindo na cama. A irmã, pensando ser Jaci , sacou-lhe um empurrão: “ Se você não quietar, vou chamar a mamãe! Eu quero dormir!” Jaci que não tinha movido sequer um músculo, nem teve tempo de pensar quando sentiu de novo, algo se mexer na calma, e a irmã esbravejar: “Já falei pra você parar, vou te chutar forte pra fora dessa cama!” Quando a irmã sentiu de novo a mexida, não hesitou e mandou um chute, e gritou chorando para acordar a casa inteira: “Pai, tem um trem espetento na minha cama, e eu acho que é o capeta, dei um chute nele e furou meu pé!” No mesmo instante o quarto estava cheio de gente, quando conseguiram acender uma lamparina, viram as duas irmãs sentadas encolhidas na cama, com as cobertas nas cabeças. Quando puxaram a coberta, puderam ver o pé da pobre menina , todo cheio de espinho de ouriço. Ao abaixar a lamparina, encontraram o bichinho acuado debaixo da cama, pronto para jogar mais espinhos. Era tempo de manga madura, e a molecada já tinha avistado alguns deles no quintal. O bicho aproveitou a janela aberta e entrou casa adentro. Queriam matá-lo, mas Dona Zulmira não deixou. Abandonaram o quarto com a janela aberta, no outro dia ele não estava mais lá. “Tinha que ter espetado a Jaci, pois ela que não fechou a janela!” Dizia a irmã revoltada, quando tinha os espinhos puxados pela alicate. Esse ouriço, também é conhecido como Luís Caixeiro emite um barulho parecidíssimo com o choro de uma criança recém-nascida, que muitos confundem com assombração. Dizem que o nome Luís Caixeiro foi herdado de um caixeiro viajante, que vendia bugigangas pelo interior do Brasil e naquele tempo, as agulhas, linhas e outras necessidades domésticas eram supridas com a presença desse vendedor ambulante. Cresci ouvindo essa história, e confesso que nunca gostei de deixar as janelas abertas à noite, mesmo na cidade.

Jaratataca

Houve-se um tempo em que as crianças cresciam livres nos quintais das fazendas. A junção de primos nas férias, deixava que o “ faz de conta” reinasse, desde a copa das árvores até suas sombras. A farra era tamanha que as brincadeiras existentes não eram suficientes para entreter toda a molecada, e era aí que a imaginação fluía e eram criadas as brincadeiras mais legais. E o inesperado, o imprevisto, o inusitado sempre estava apto a acontecer. As brigas sempre surgiam, o que era mais que previsto. Principalmente quando estavam longe dos adultos. E tudo aconteceu por causa de um desses conflitos. A brincadeira preferida da meninada era brincar de casinha. E antes da brincadeira começar, os mais velhos escolhiam entre os menores quem seriam seus filhos. A caçulinha da família era a preferida, todo mundo queria ser mãe dela. Antes que a brincadeira começasse, quando a meninada estava toda empoleirada nos galhos de um pé de goiaba, as meninas maiores começaram a se desentender, pois todas queriam ser mãe da caçulinha. Para acalmar os ânimos, um dos primos interveio e pediu a pequena que escolhesse quem queria por mãe. Feita a escolha, uma das “mães enjeitadas” desistiu da brincadeira. Desceu da goiabeira emburrada, praguejando contra as primas, quando viu entrando na clareira que ficava no meio do quintal um lindo animalzinho. Era todo rechonchudo, com um pelo negro que reluzia à luz do sol, contrastando com a lista branca que dividia-o em dois, desde a cabeça, perto dos olhos, até a ponta do rabo. Nunca havia vista um animal tão belo. Parecia um cachorrinho. Só que muito mais fofinho, e parecia ser muito mais limpo e cheiroso que os cães da fazenda. A menina parou, agachou-se e ficou olhando a graciosidade do caminhar daquele pequeno ser que vinha da direção do mato, e atravessava a clareira todo senhor de si, balançando aquela calda imponente de duas cores. Tanto o branco alvíssimo, como se tivesse saído do banho naquele momento, como o negro reluzente, a hipnotizaram, e a expectadora, durante alguns segundos só conseguia mexer os músculos do pescoço, tentando repetir com a cabeça o movimento da calda do bichinho. O animal concentrado em sua travessia, não percebeu a presença da menina. Não queria mais ser mãe da caçula, queria é ter um animalzinho que ninguém mais teria. As primas morreriam de inveja. Ela não tinha dúvidas, queria aquele bichinho para chamar de seu. Mas bastou que desse um passo a frente para que os instintos de defesa do pequeno mamífero detectassem sua presença. O bichinho levantou a cabeça, fitou-a nos olhos e deu uma assuntada mexendo com focinho. Pareceu ler os pensamentos de nossa amiga. Ao menor movimento da menina, começou a correr, e ela o seguiu. Dentre as muitas árvores do quintal, ele procurou refugio em um pé de siriguela. Como um gato, escalou seu tronco em um piscar de olhos e se misturou em meio às folhas tentando se esconder. Quando a perseguidora chegou debaixo da árvore, o bichinho já estava lá no alto. Conhecia bem aqueles galhos. Os de baixo usava-os para virar coador e os de cima, subia lá nas “grimpas” atrás das suculentas seriguelas que por lá amadureciam. Com a destreza de uma moleca, em um instante já estava a distância de um braço do galho que servia de esconderijo. Mas bicho que é bicho não se dá por vencido. Ao perceber que o perigo se aproximava, começou a se distanciar e a procurar refúgio na ponta do galho. Sabia que não chegaria onde o animal estava por aquele caminho, pois o galho cada vez mais fino, poderia quebrar, e aquela altura, nem ela, nem o bicho sairiam dali ilesos. Olhou para o galho de baixo que era mais grosso e pulou de uma vez para ele. Quando se posicionava debaixo do bicho quase alcançando-o com a mão, sentiu algo molhado escorrendo cabeça abaixo , descendo pelas costas, através da roupa e ensopando-a toda. Quando olhou para cima, pode perceber a origem do líquido estranho. Desesperada, desceu da árvore em um pulo só. Correu em busca da mãe que cuidava de seus afazeres lá dentro da casa. Num grito só, despejou tudo: -Mainhêeee!!! Tentou se aproximar, mas a mãe com uma das mãos a repeliu e com a outra apertou o nariz. Mandou a filha para o banheiro, enquanto foi confirmar suas suspeitas, no pé de seriguela. De longe a mãe viu o branco e preto do bichinho tentando manter-se escondido entre o verde das folhas. Sua desconfiança se confirmou: era uma jaratataca, uma espécie de gambá do cerrado, que tem como arma de defesa a secreção de um líquido de odor bastante desagradável. As roupas da menina foram jogadas fora, e a pobre tomou banho até ficar enrugada. Quando a meninada voltou do quintal, não souberam a origem daquele cheiro insuportável que custou a sair da casa. “ História real acontecida com minha mãe.”

Os jogadores de truco e os dois hóspedes

Os irmãos Alfredo e Roberto, apesar de inseparáveis, eram muito diferentes um do outro. Alfredo, sempre metido a sabichão, era de uma má sorte sem igual. Já Roberto, o caçula, era meio “abilolado”, e sempre levava a melhor em relação ao irmão. Moravam com a mãe em um sítio, nas proximidades da capital, e toda semana levavam os produtos que colhiam para uma feira na cidade. Enchiam o carro de frutas, verduras e ovos fresquinhos e voltavam sempre com a carteira cheia de dinheiro, felizes da vida. Naquele dia, depois da feira, foram abordados por um grupo de assaltantes, que renderam os dois irmãos. Deram uma coronhada na cabeça de Alfredo, um galo se levantou na hora. Já partiam para pegar Roberto, quando viram uma viatura se aproximando. Um dos meliantes disse um deles disse: -Vam’bora! Vam´bora! Já tá bom! Já tá bom! Olha os homi... Já haviam limpado os bolsos, as carteiras, jogaram os dois na calçada e fugiram no carro. A viatura que fazia ronda no local passou direto, e os dois irmãos jogados na calçada pareciam invisíveis. Sem nenhum telefone por perto, os dois se viram longe de casa e sem dinheiro para o ônibus. -Alfredo, o que a gente faz agora? -Vem perguntar pra mim? Você bem que poderia ter deixado uns trocados dentro da cueca, duvido que o ladrão achasse. -Na cueca eu não deixei, mas tenho uns cinco contos dentro da meia. Dá pra gente comer alguma coisa! Alfredo riu do irmão, e os dois se sentaram no meio fio, tentando achar uma solução. Vendo que o irmão não tomava iniciativa, Roberto se levantou e disse: -Alfredo, eu to com sede, e daqui a pouco minha barriga vai roncá. E saber que nesta horinha memo, a mãe tá fazendo aquela janta cheirozinha, esperando a gente! Hoje é dia de sopa de galinha! O que cê acha da gente ir de a pé? Se nóis ficá parado parecendo besta aqui, nunca vamo chegá! Alfredo achou a idéia do irmão uma tolice, mas como não conseguia pensar em nada melhor, acatou, e os dois seguiram o rumo de casa. Foi só sair da cidade e começar a rodovia que Roberto iniciou uma contagem regressiva: -Farta 42 quilometro. Um quilometro depois: -Agora só farta 41 quilometro. E continuava: -Pela minhas conta, agora deve farta uns 38. A praca daqui sumiu. Alfredo que já não aguentava mais Roberto medindo a distância, gritou feliz quando avistou uma placa que anunciava a proximidade de um posto de gasolina. Apertaram o passo e chegaram no posto. Correram no orelhão, mas se lembraram que não tinham telefone de nenhum parente, a cadernetinha com os números, ficava no carro. Quase mortos de sede, Afredo sugeriu que comprassem água, mas Roberto só apontou para a torneira, o dinheiro era para ser gasto no jantar. Um homem que passava por ali viu os dois e logo se aproximou. Puxou assunto e Roberto, que falava pelos cotovelos, contou todo o acontecido. -Que sorte! Amanhã cedo eu vou fazer um serviço pertinho do sítio d’ocêis. Se quiserem, podem ir dormir lá em casa, tenho um quartinho sobrando, minha muié ta viajando, eu to lá sozinho. Só chamei uns amigo pra jogar um truco, mas nóis num vai incomodá. Desconfiado, Alfredo ia recusar, mas antes que pudesse fazê-lo, Roberto aceitou o convite sem hesitar. Compraram algo para forrar o estômago e os dois seguiram o tal do homem em direção à sua casa, ali perto mesmo. Quando chegaram no quartinho que os hospedaria até o dia seguinte, o anfitrião abriu a porta e disse: -Como eu disse, as acomodações são bem simples, mas fiquem à vontade. Se precisarem de alguma coisa é só chamar, mas cuidado, não saiam por aí sozinhos, pois os cachorros podem estranhar. Virou as costas e voltou: -Eu ia me esquecendo, mais tarde se ouvirem uns barulhos, não se preocupem, como eu falei hoje é dia do truco! Sabe, como é truqueiro, né? Roberto respondeu: -Tudo bem, do jeito que a gente ta cansado, acho que não vamu escutá nada. Quando o homem saiu, os dois se viraram e se depararam com uma enorme cama de casal, coberta com uma colcha vermelha toda bordada, e com almofadas em forma de coração. Se olharam e começaram a rir da situação. Roberto ficou sério de repente e disse: - E o que que tem né? Não é porque a gente dorme na mesma cama que vamu deixá de ser macho, e ninguém precisa sabe disso, quando for contar a história vamo falá que tinha duas cama no quarto. Alfredo balançou a cabeça negativamente e disse: -Irmão, irmão, você é o cara mais abilolado que eu conheço. Tem certeza que você é mesmo filho da mesma mãe que eu? Roberto consentiu com a cabeça. E os dois se deitaram. Dormiram como uma pedra, mas no meio da noite acordaram com uma gritaria infernal vinda lá da casa: -Truco! -Seis mi, ladrão! Do quartinho, Roberto foi o primeiro a falar: -Alfredo, cê tá acordado? -Tô! Quem dorme num calorão desse com essa gritaria? Se ainda pudesse abrir a janela,mas tem os cachorro! -Se a gente tivesse ido andando já tinha chegado. Mamãe deve de ta preocupada, tadinha! -Roberto, a ideia de aceitar o convite foi sua! -Num sei o que que a gente veio fazê nesse mardita cidade, Alfredo! Se tivesse lá na roça nada disso teria acontecido! Mardito esses ladrão! -Cala boca Roberto! Reclamar faz ainda aqui ficar mais calorento! Enquanto os dois discutiam no quarto, na sala o truco ia longe. Em uma das mesas, os jogadores se lembraram dos hospedes do quartinho: - Uai cumpade,quem é que ta no quartinho hoje? -Eu emprestei pra dois troxa que encontrei perdido no posto. -E eles dorme junto? - Uai, dorme! Um dos jogadores fez uma proposta: -Gente, esse jogo tá danado de sem graça, já cansei de ganhá d’ocêis. Vamo por as coisa pra isquentá? O que ocêis acha de nois pegá um daqueis hospi e dá uma tunda? Onde já se viu, dois home durmino junto! Uns concordaram e outros não, mas a maioria optou pela coça. -Vamo pegá o do canto! Entraram no quarto, uns quatro truqueiros já passados na bebida e puxaram Alfredo pelos pés tão devagar que Roberto que já havia pegado no sono nem percebeu. Meio sem saber o que estava acontecendo, Alfredo levou uns pontapés, e safanões, sem reagir, pois estava em desvantagem. Só pararam quando o afitrião interferiu. Levaram Alfredo para o quarto e ele se deitou gemendo. Passaram algumas horas, sem poder fugir e sem acordar o irmão, Alfredo foi surpreendido novamente pelos truqueiros, um deles tinha ganhado uma rodada cujo premio era uma nova coça no visitante do canto. E o pobre foi surrado de novo. Alfredo voltou para o quarto cambaleando, e desta vez empurrou o irmão para o canto da cama e tomou seu lugar. -Eu não mereço apanhar sozinho, dormir aqui foi ideia dele! É o do canto que eles querem... Pensava enquanto o irmão ressonava ao seu lado. Enquanto isso na sala, ao final da rodada o jogador outra vez ganhou a aposta, e já se levantava para ir buscar o hospede saco de pancadas, quando o dono da casa interveio: -Chega de bater no coitado do canto, ele já apanhou que chega! -Mas a aposta foi ganha, nos temos direito, ora! -Eu não disse para não baterem, mas para não baterem no do canto. Agora, peguem o da beirada, o coitado do canto já apanhou demais! E saíram em busca do hóspede da beirada, desta vez. Alfredo de novo entrou na pancada, pela terceira vez, já que havia trocado de lugar com o irmão. No outro dia, Roberto acorda e nem nota o estado do irmão, cheio de hematomas e todo amassado. Dá uma espreguiçada e diz: -Que noite péssima! Dormi tão mal. Sonhei com umas brigas, que você gemia a noite toda. Não a nada mais ruim do que uma noite mal dormida! Alfredo, todo dolorido, faz um esforço danado para se levantar, calça suas botinas e sai do quarto mancando. -Ôh, se há! Você nem faz ideia... Os dois saem, e nem sinal da carona prometida. Roberto diz ao irmão: -Alfredo, acho que você também estranhou a cama, tá com uma cara! Sem carona, e com o corpo todo moído, Alfredo seguiu calado, escutando as sandices do irmãos, o caminho de casa.