quarta-feira, 10 de julho de 2013

Menos vale um pássaro na mão, do que dois voando. Melhor deixar os bichinhos livres...

Ouço gente morta

Como no mito de Orfeu, uma bela música pode entorpecer a alma, remeter os sentidos a um estado de paz e plenitude, fazer-nos esquecer por alguns instantes a atribulação do dia-a-dia, reavivando nossa memória, trazendo recordações, ora boas, ora ruins, ora vividas, ora nostálgicas. A música é uma das formas mais antigas de manifestação cultural. Ninguém sabe ao certo quando foi que surgiu, mas sabemos que ela veio antes do “homem”, quem já ouviu um canarinho cantar, sabe bem disso. Não somos a única espécie a apreciar uma boa cantoria. Vai ver, foi tentando imitar o som dos outros animais que surgiram os primeiros acordes, os primeiros instrumentos musicais. A música evoluiu com o homem, e veio se aprimorando através da diferentes épocas, chegando a algo que beira a perfeição com nomes como Sebastian Bach, Mozart e Beethoven. Com o advento da radio fusão se propagou, se popularizou, se diversificou e chegou ao que conhecemos hoje. A música sempre me acompanhou na vida, mas por incrível que pareça, não toco nenhum instrumento. Meu gosto musical sofreu enormes influências da minha irmã mais velha. Lá em casa só se ouvia Queen, A-ha, Rolling Stones, Beatles, U2, R.E.M, Madonna, M. Jackson, Legião Urbana, Capital Inicial, Paralamas, Biquini Cavadão, Blitz, Kid Abelha, Cazuza, RPM, Rita Lee, Gil, Caetano... Fui criança nos anos 80 e adolescente nos 90. Foi nesse cenário musical que aprendi a ler, a andar de bicicleta, dei meu primeiro beijo, essas coisas. Todos saiam para trabalhar, ficava só nos duas em casa, e era a hora de arregaçar o volume do rádio e ouvir as mais, mais. Ela fazia os afazeres domésticos da casa, e eu a ajudava, dançando e cantando, fazendo o rodo de microfone e a vassoura de guitarra. Não tínhamos toca-discos, mas me lembro do toca-fitas com uma caixa de som enorme que ficava na sala. De tanto rebobinar com a caneta, acabávamos amassando a fita. Quase morri de chorar quando o toca-fitas “engoliu” a minha fita da Nikka Costa. A tecla “rec” do radio era a que eu mais usava. A gente gravava a música direto do rádio. Ficava vigiando perto do rádio, quando começava a tocar apertava o “rec” e gravava na fita. Gravação perfeita na maioria das vezes, mas haviam alguns locutores que sempre estragavam meu trabalho, pois insistiam em dizer a hora certa, ou soltar a vinheta da rádio antes do término da música. Sem computador, internet, TV a cabo, DVD, era a Tv a nossa única chance de ver os ídolos internacionais. Nessa época que o vídeo clipe se popularizou, havia um programa chamado Clip Clip, no qual tinha-se a chance de ver os melhores clipes da época, e ainda apareciam lá, como convidados Cazuza, Titãs, Legião Urbana. Não há como esquecer dos programas de auditório, como O Globo de Ouro, e o Cassino do Chacrinha. Custava esperar sábado chegar para ver artistas como “Roupa Nova”, “Blitz” cantando no palco do Velho Guerreiro. Engraçado como as coisas mudam com o tempo. Hoje acho impossível assistir um programa de auditório. E as músicas da atualidade? O cenário atual está repleto de estrelas (cadentes), cujo brilho pode até ser intenso mas dura muito pouco. Aqui, prevalece a lei da oferta e da procura e a fase chamada por Lobão de “agrobrega” continua, e os “universitários” insistem em mandar no pedaço, com refrões feitos em uma linguagem desconhecida. Lá fora, as coisas não são muito diferentes, mas temos que ressalvar que diante de One Direction, Justin Bieber e Rihanna, surgiu a Adele, que sozinha, arrebatou tudo e todos. Para minha alegria ainda existem rádios como a Antena 1, a Globo FM, a MPB FM, e tenho o meu pen-drive, que levo comigo como se fizesse parte de mim. Tento influenciar meus filhos, e sempre que posso ouço música perto deles. O meu pequeno gosta de “Bon Jovi” e “Guns’n Roses” no “Guitar Hero”, outro dia vi meu computador cheio de músicas do “ Linkin Park” baixadas, descobri que foi meu maiorzinho. Já me deparei respondendo a eles a seguinte pergunta: “Mãe, toda música que você ouve, o cantor já morreu?” . É ouço, na maioria do tempo, gente morta.

“The Newsroom” série jornalística da HBO

A série “The Newsroom” criada por Aaron Sorkin, que ficou conhecido por ganhar um Oscar com o filme “A Rede Social”, teve seu primeiro episódio exibido em agosto de 2012 pela HBO, e é o meu mais novo vício. Se passa nos bastidores de um telejornal exibido em canal de notícias a cabo ficcional. Protagonizada pelo ator Jeff Daniels, que vive o Will, o temperamental âncora do jornal, de conteúdo político e opinativo , que juntamente com sua equipe, colocar no ar diariamente os acontecimentos do mundo, além de lidar com os dilemas da vida pessoal de cada um. No episódio Piloto, Will volta de férias e se dá conta que seu parceiro além ter abandonado-o, ainda levou sua equipe. Assim, entra em cena Charlie Skinner (Sam Waterston, de Lei e Ordem), uma figura muito simpática, que faz o chefe idealista de Will. Charlie informa que tem uma nova produtora executiva, a renomada Mackenzie MacHale (Emily Mortimer) e que vai formar uma nova equipe. Aí que as coisas começam a esquentar, pois Will e Mackenzie já foram namorados, e tiveram uma separação meio conturbada. Sei saída, Will assimila sua nova situação, e o temperamental muda sua postura com relação aos colegas e com relação ao jornal, pois assume a tarefa de moralizar o jornalismo americano. No elenco também estão Alison Pill, John Gallagher Jr., Josh Pence, Olivia Munn, Thomas Sadoski, Dev Patel e Jane Fonda, em participações recorrentes. O discurso de Will no início do primeiro episódio determina o rumo da história que está sendo desenvolvida para a temporada: a América se perdeu, mas pode se reencontrar. Em entrevistas, e na série, Sorkin cita Dom Quixote como referência do trabalho que Will se propõe a fazer. Enfrentando ‘moinhos’, ele desafia o sistema e a mentalidade social já enraizada para tentar moralizá-los. Fazendo isso, Will vai bater de frente com a elite da emissora, que chega a conclusão que o âncora está falando demais. Neste ponto entra em assuntos como o caso “tea party” e esbarra no empasse que envolve o corporativismo da mídia e as barreiras contratuais. O mais interessante, no meu ponto de vista, é que a equipe do jornal cobre notícias reais do nosso passado recente. A morte de Bin Laden, o acidente nuclear de Fukushima estão entre os assuntos apresentados. O desdobramento dos fatos , desde uma pequena pista até o desfecho do acontecimento, é vivenciado na redação. Em um jogo intuitivo e jornalístico, onde não há espaço para erros, os produtores (sem arredar os pés da redação) conseguem ir até o olho do furacão da notícia, primeiro que todo mundo. E a cada episódio nós, os expectadores, mesmo sabendo o desfecho da notícia, nos deliciamos com os bastidores, com as decisões que um jornalista precisa tomar para que um acontecimento vire a notícia que vemos sentados em nosso sofá. Comecei a assistir indicada pela Marília Gabriela, em seu programa de entrevistas, como ela mesma disse é uma série para jornalistas e para quem não é jornalista. A segunda temporada deve ir ao ar em junho nos EUA , se a HBO seguir o que vem fazendo, a estreia por aqui deve ser na mesma época.