INTRODUÇÃO
O processo educativo como conhecemos hoje, não foi sempre assim. Para chegar onde está passou por etapas.
O seu início se encontra nos primórdios da nossa história e vem ora evoluindo, ora retrocedendo ao longo dos milênios. Nesse caminho natural, tanto a forma, quanto o conteúdo da educação mudaram, se adaptaram e desenvolveram, de acordo com o contexto histórico no qual estavam inseridos.
Para traçar esse caminho percorrido pela educação, contextualizado historicamente, começaremos com a cultura pedagógica na Grécia Antiga. Pois o modelo grego é grande inspirador em nossa cultura não só pedagógica, mas de forma geral. Passaremos pela Idade Média, esse período importante de nossa história que durou mais de mil anos e por fim faremos um pequeno panorama da educação na Idade Moderna.
HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO
Há algumas dezenas de séculos antes de Cristo, a península grega era formada por vários povos como os Dórios, os Egeus e os Micênicos, que acabaram se unindo, depois de muita guerra, formando uma só civilização, com uma mesma língua, uma só cultura.
Não se conhece muito da história grega desse período, chamado arcaico. O que se sabe é narrado por um poeta, Homero, na Ilíada e na Odisséia. Nesta época está a base de grande parte do desenvolvimento social e político dos séculos subseqüentes.
Nesse tempo a educação dos jovens estava nas mãos de um guerreiro mais velho, que ensinava a arte da guerra e a oratória. Era uma educação heróica, feita para futuros guerreiros, o que era bem adequado, já que viviam em guerra. Haviam rituais de iniciação para os jovens, passarem à vida adulta. Praticavam nesses rituais provas de corrida, arco e disco, entre outras modalidades. Os rituais da cidade de Olímpia são os mais conhecidos, pois inspiraram as olimpíadas modernas.
Aproximadamente em 800 a .C. as comunidades aldeãs vão crescendo fortalecendo e tornam-se cidades-Estado. Com o agrupamento das pessoas, novos problemas surgem. Isso desperta no homem grego um desejo de pensar e buscar soluções para esses problemas. É ai que surge a filosofia.
Nesse momento, a Grécia passou por uma grande transição, pois estava nascendo a Pólis.
A Pólis era uma cidade-Estado que dominava um território. Era independente. Nela, as pessoas adquirem direitos e deveres, nasce o conceito de cidadão. Os problemas e as soluções das suas vidas eram de interesse comum. Não existia o individuo, mas um ser público. A palavra se torna instrumento político. Os melhores oradores eram os mais poderosos politicamente.
Esparta a Atenas se destacam entre as demais Pólis. Ambas possuíam modelos diferentes. Esparta era uma cidade de soldados, quase sem preocupações artísticas ou literárias, o Estado totalitário era o bem mais supremo. Atenas foi o berço de artistas e negociantes, a pátria da liberdade e da democracia.
Na Pólis, a importância da educação foi reconhecida, pois só com ela era possível alcançar princípios como a oratória e a filosófia tão importantes naquele momento.
Por volta dos séc. V e VI a.C., o modelo de Atenas se sobressai perante as outras Pólis, que passam a segui – lo. Isso fortalece muito o comércio, o que acarreta uma grande mudança na história grega.
As pessoas que enriquecem com o comércio formam uma nova classe social, que deseja poder político. Os mitos e crenças perdem aquele peso que tinham na explicação das coisas. O homem torna – se mais critico, e surgem indivíduos que interpreta essa nova maneira de pensar: Os sofistas.
Esses sofistas eram contratados pelos novos ricos para que lhes ensinassem a oratória. Nesse momento houve uma revolução no ensino: Há um mestre e ele recebe para ensinar em um lugar próprio, geralmente ginásios, onde também era ensinada a música, o teatro e a ginástica.
O ginásio passa a ser o centro da cultura intelectual e física. A transmissão da cultura é feita através da palavra e da escrita, visando a formação do cidadão e das suas virtudes. Estava nascendo a Paidéia, que era uma forma mais complexa de formação social, política, cultural e educativa, que ressaltava os valores morais do cidadão grego.
A Paidéia faz o modelo da Pólis entrar em crise, pois o indivíduo passa a ser mais desenvolvido e torna – se capaz de reconhecer a sua universalidade.
É nesse contexto que surge Sócrates (470 – 399 a .C.). Com ele a Paidéia se afirmará. O seu modelo teórico foi, e é, de suma importância em vários aspectos, inclusive na educação. Foi ele que mostrou sua importância para a formação humana na busca do auto – conhecimento. Elaborou uma teoria que sistematizava o modo de educar. É com Sócrates que a pedagogia se esboça como ciência, alcançando uma dimensão mais teórica. Os problemas da educação são enfrentados sem o determinismo de outrora. O racionalismo ganha força. Sócrates é considerado o pai dos filósofos, e suas formulações são seguidas por Platão (427 – 347 a .C).
Platão não só sistematizou os pensamentos de seu mestre, como foi mais longe. Elaborou um sistema filosófico idealista que priorizava o mundo das idéias em relação ao mundo real. Fundou uma academia, a primeira escola filosófica orientada para a política. O método empregado era o da conversação, do debate. Os alunos tinham que descobrir por si mesmos os meios para superarem os problemas. Contrariando os sofistas, que cobravam, a academia era gratuíta. A finalidade da educação para Platão é, como para Sócrates, a formação de um homem moral dentro de um Estado justo. Sua academia formou muitos discípulos seus, entre os quais Aristóteles se destaca.
Aristóteles (384- 382 a .C) não se distância muito das teorias de seu mestre, porém é mais realista. Com a pretenção de ensinar uma enciclopédica do saber, como física, lógica, ética e poética, fundou um liceu em Atenas, onde concretizou suas obras. Ele confirma a pedagogia de Platão, mas diz que a educação deveria ser destinada apenas aos nobres, que viveram no ócio, dedicando-se somente ao estudo, pois só assim chegariam a um patamar mais elevado em sua intelectualidade.
Quando o Macedônia conquista a Grécia, o período da história grega que conhecemos como Helenístico, a cultura se volta para o humanismo.
É um período mais cientifico, onde as ciências se especializam em varias áreas. O homem está ao centro de tudo, há um “desencantamento do mundo”, pois o ceticismo interroga tudo que era explicado pela mitologia e pela religião.
Aqui surge um novo modelo de educação, nunca visto antes. É criada uma linguagem própria para a educação com termos técnicos. Surgem escolas específicas como as de gramática e de retórica. O homem passa a dedicar-se mais as ciências e menos a filosofia.
As grandes obras da época foram reunidas em bibliotecas, tornando-se assim mais acessíveis. A missão das escolas, era a preservação, perpetuação e transmissão do conceito de Paideia. Mas... chegaram os romanos!
Roma conquistou a Grécia, assimilou sua cultura e de certa forma a difundiu pelo seu vasto império, que compreendia grande parte da Europa, norte da África e oeste da Ásia. Mas a hegemonia romana teve um fim. O império Romano se enfraqueceu por uma série de motivos, e as cidades não mais protegiam seus habitantes dos invasores que chegavam, os chamados bárbaros. Isso ocasionou uma fuga em massa das pessoas para o campo.
Nesse meio rural, inicialmente era praticada uma agricultura de subsistência, as pessoas viviam de forma muito mais simples, sem os recursos que tinham na cidade. Depois de chegar a um apogeu na Grécia e mais tarde em Roma, a civilização européia se viu voltada aos modos arcaícos de sobrevivência.
Estava surgindo um novo modo de produção: o feudalismo, que resumidamente consistia em um sistema no qual as pessoas ricas possuíam grande quantidade de terras, a oferecia para plantio a quem não tinha e em troca ficavam com a maior parte da produção.
Os donos da terra, que eram nobres eram chamados susseranos, e os trabalhadores vassalos ou servos.
Esse período que durante muito tempo foi conhecido como “ Idade das trevas”, foi a época em que se formou a Europa, que hoje conhecemos, culturalmente e geograficamente.
Podemos dizer que a identidade européia se formou graças a consciência cristã, que a Igreja Católica difundiu e fortaleceu. Por causa das invasões bárbaras a cultura Greco-romana esteve a ponto de ser destruída, o que não aconteceu graças a atuação da Igreja Cristã, pois somente através da religião foi possível educar os povos. A doutrina da Igreja foi o ponto de partida para a educação que se desenvolveu na Idade Média.
Enquanto os filósofos gregos davam mais importância aos aspectos intelectuais do homem, o cristianismo medieval exaltava os aspectos morais. Não se baseava no ideal de imediata felicidade, nem no de vida da razão, baseava-se na idéia de caridade, humildade cristã. O novo conceito educacional concentrava-se no aspecto moral da pessoa humana.
A educação modelava comportamentos, expressões, temores e esperanças de cunho religioso, que vinha de pregadores que instauravam dogmas, educavam com sua palavra profética. Atuavam como moralistas, pois suas palavras transformavam comportamentos.
A população é educada na fé crista, nos seus dogmas, nos seus mitos. Quem não os seguisse, só teria um destino: o inferno.
A Igreja pregava principalmente a pobreza, a felicidade, a dependência e a submissão, calcados pela fé cristã. O que era muito convencional para a época pois era muito interessante que o povo fosse submisso e obediente tanto para a Igreja quanto para a nobreza.
No período medieval havia uma hierarquia muito difícil de ser quebrada, principalmente durante o feudalismo. Um servo, sempre seria um servo, nasceu servo, morre servo. Os nobres poderia ser religiosos.
A educação era diferenciada para cada classe social. Os nobres tinham uma educação mais refinada. A vida no interior dos castelos era bem diferente da vida do povo, pense na cultura literária, nas novelas de cavalaria, no amor cortês. Aos filhos dos nobres eram oferecidos uma educação mais elaborada, com noções de gramática, teologia, ciências exatas e naturais. Geralmente esse ensino era realizado por meio de um membro do clero. Aqueles que queriam seguir na vida religiosa, iam para os conventos ou para os mosteiros.
Os filhos dos servos eram educados para trabalharem em serviços braçais, como seus pais, na agricultura, pecuária, serem ferreiros, marceneiros etc. As meninas além de aprenderem o oficio que daria a sustento da família, aprendiam a tecer, costurar, cozinhar, etc. As crianças desde cedo já acompanhavam seus pais nas tarefas diárias. A maioria não tinha acesso à leitura. Os pobres possuíam uma cultura oral e visual, com um imaginário riquíssimo, repleto de magia, mitos e crendices. “O conhecimento” que eles tinham lhes era passado através dos pregadores, nos sermões da missa de domingo. Durante muito tempo poucos tiveram acesso à uma educação elaborada e sistematizada. Não havia uma instituição que proporcionava educação e instrução à criança.
Dentro dos conventos e mosteiros a formação educacional era a mais completa da época. Lá os religiosos tinham acesso a livros, enciclopédias, pergaminhos, herdados do tempo antigo. Principalmente nos mosteiros, onde monges viviam enclausurados, o conhecimento se concentrava. A vida intelectual desses monges era intensa. Aprendiam grego antigo, latim e várias outras línguas para decifrarem e copiarem um acervo, ricamente variado, que só eles tinham acesso. Com isso, de certa forma a Igreja monopolizou o conhecimento. Apenas o que interessava era difundido. Durante a Idade Media houveram três diferentes movimentos intelectuais. Todos envolvendo membros eclesiásticos, já que na Igreja estava concentrada a intelectualidade da época. Esses movimentos são chamados de Período Patrístico, Monástico e Escolástico.
O Período Patrístico é onde se origina o trabalho dos primeiros padres da Igreja. Patrístico vem de padre. Esses religiosos eram educadores que procuraram conciliar a cultura Greco-romana com o cristianismo. É uma fase que cobre os primeiros séculos da Igreja.
No Período Monástico houve grandes benefícios para a educação. Os mosteiros deixam de ter um caráter só religioso, nesse período tornam-se praticamente as únicas instituições de ensino da época. Os monges reclusos conservaram a cultura antiga e a utilizaram como meio para a educação.
Durante o Período Escolástico, que começa no século XII e vai até a Renascença, há uma preocupação em demonstrar a ensinar as concordâncias da razão, formulando as crenças cristãs com a lógica aristotélica.
Os principais pensadores desses movimentos foram Agostinho e Tomás de Aquino.
Agostinho (354-430) fez uma analise vigorosa do ato docente (e deixou escrito em D. Magistro ), procurando iniciar um jovem às letras, tendo como escopo final a salvação da alma. Aborda a importância da linguagem e aponta Cristo como a verdade que ensina interiormente. Agostinho é do período Patrístico, e com ele esse movimento sofre transformações pedagógicas importantes. O cristianismo começa a ver-se como meio de disciplina. Conseguiu fazer de suas idéias um modelo acabado do método socrático, no qual aponta razoes que provam a impossibilidade de uma autentica comunicação entre os homens. Até chegar a conclusão que um só é o mestre de todos, e este é Deus.
Os pensamentos de Agostinhos são retomados nove séculos mais tarde por Tomás de Aquino (1125(?)- 1274), que se torna um dos principais filósofos da Escolástica. É um escritor fecundo baseado em Aristóteles, considera que razão é a chave para a verdade. Como Agostinho, diz que o verdadeiro mestre que ensina dentro de nossa alma é Deus, e sublinha que é preciso um mediador para que esse ensinamento chegue até nós e, que seria o mestre cristão. Sua obra tem o mesmo nome da criação de Agostinho. No seu D. Magistro, Tomás de Aquino discute os mais graves e controvertidos problemas pedagógicos de sua época, procurando justificar a ensino e a função do mestre.
Ao longo dos séculos a Idade Média vai tomando novos rumos. Com o fortalecimento do comércio, surgem pessoas que enriqueceram praticamente compra e venda de produtos, e uma nova classe social emerge: a burguesia.
Com os burgueses há uma espécie de revolução cultural e econômica. Reformulam uma nova visão de mundo, centrada no homem. A fé Cristã se vê abalada com novos pensamentos,e a Igreja se vê obrigada a reformular seus conceitos.
Nesse contexto, surgem as universidades,que acolhe as diversas especializações do saber. Forma pessoas necessárias para essa sociedade que vem se transformando, tão rapidamente que em poucas décadas nascem as maiores universidades européias. Vieram para renovar a transmissão e o modelo cultural que torna – se mais racional, cientifico e técnico.
As mudanças foram bruscas. As bases que sustentavam o sistema estavam abaladas. Estava iniciando uma época que se caracterizava pela nova forma de pensar sobre os conceitos fundamentais: a Idade Moderna.
A transição da Idade Média para a Idade Moderna é marcada por fatos de decisiva importância para o futuro.
No campo econômico, o capitalismo começa a se firmar em sua fase inicial. Sustentando pelo mercantilismo suplanta o feudalismo. A burguesia se torna cada vez mais rica e mais influente. Na política, forma-se o Estado moderno, fundamentado no poder absoluto do rei. Há um crescimento considerável das cidades em torno das universidades e das feiras, onde o comércio era praticado. Surge na Itália um movimento cultural e artístico, que depois se estendeu por toda Europa, que propunha um novo modo de pensar restaurando formas e idéias da Antiguidade Clássica: O Renascimento.
O Renascimento renovou diversos setores da atividade humana. Nasce como reflexo do poder crescente de uma nova ordem social que começa a desenvolver-se nas cidades, paralelamente à formação da produção capitalista. É a primeira manifestação da burguesia em prol da conquista do poder político.
Alguns fatos foram determinantes para que na história surgissem os pensamentos contidos no Renascimento. As principais foram: as indagações que surgiam a respeito do cosmos já não eram supridas pelas explicações religiosas. O estudo da Geografia. Astronomia e as novas descobertas marítimas derrubaram conceitos até então indubitáveis. A passagem do artesanato à manufatura e o florescimento comercial.
Essas e outras descobertas passam a refletir a realidade atuante do homem em relação com a natureza. O conhecimento do mundo através da experiência, o empirismo, a relação entre o sujeito pesquisador, o método utilizado e o objeto pesquisado de acordo com as teorias de Bacon e Descartes, o humanismo, que coloca o homem no centro do universo, atuaram como um motor que impulsionou o Renascimento.
Nas artes, nas ciências, na filosofia, na educação, em várias áreas das atividades humanas houveram representantes que seguiram os novos ideais trazidos com o Renascimento: Dante, Leonardo da Vinci, Montaigne, Maquiavel, entre outros inúmeros nomes conhecidos por nós.
Mas essa mudança não foi bem vista pela Igreja Católica, pois as novas descobertas colocavam em cheque as doutrinas, as explicações pregadas pela instituição. Segundo a Igreja aquilo ia de certa forma comprometer o seu futuro e o do cristianismo. Assim utilizava todo o seu poder e influencia para manter essas idéias sobre controle. Isso era feito sobretudo nas escolas e universidades, que ate então estavam sobre o seu controle. No séc. XVI surge na França o primeiro colégio humanista, com grandes inovações, o que é duramente criticado pela Igreja.
No início do século XV o humanismo começa a ter uma intervenção considerável no processo educacional, pois acontece dentro da Igreja Católica um movimento que a divide, a chamada Reforma Protestante. Alguns lideres religiosos romperam com a Igreja Católica e criaram um grupo oposto. Os cristãos dividiram-se. Esse grupo, liderado por Martinho Lutero (1483-1546) teve ramificações por toda a Europa e esse movimento ficou conhecido como Protestantismo. Lutero considerava que o programa humanista de forma geral e aplicado na educação seria um instrumento indispensável para o fortalecimento é a manutenção da fé. É inaugurado um humanismo cristão, que procura conciliar os ideais humanísticos com o cristianismo.
Com a Reforma protestante, a Igreja Católica viu a necessidade de passar por uma reforma interna, rever alguns conceitos, para evitar que mais católicos seguissem Lutero. As principais providências tomadas foram a criação do Concilio do Trento que reorganizou a Igreja, e o surgimento do tribunal da Santa Inquisição que julgava e punia aqueles que se desviavam das doutrinas e a fundação da Companhia de Jesus que pretendia manter os católicos fiéis ao Papa através da pregação religiosa e da educação. A companhia teve tão grande influência sobre a educação da juventude, que atraiu até protestantes. Um dos princípios básicos do ensino jesuítico era o de que é melhor aprender pouco, mais bem aprendido do que aprender muito e superficialmente. A sua perfeita organização, o cuidado na preparação dos professores e os métodos de ensino foram os principais fatores para o sucesso dessa educação. As ordens religiosas controlaram a educação dos países católicos até o inicio do século XIX.
Durante toda a Idade Moderna (1453-1789) predominou o regime absolutista de governo, no qual o poder político passava de pai para filho e a nobreza e o clero gozavam de todos os privilégios. Como conseqüência, a educação, principalmente nos Estados Católicos era também privilégio dos nobres e dos clérigos, enquanto grande parte da população permanecia na ignorância. Já nos Estados onde o protestantismo era dominante, como nos Estados alemães, a obrigatoriedade de freqüência nas escolas já tinha sido estabelecida pelos governantes ainda no século XVII.
As condições do ensino elementar eram muito precárias durante o absolutismo, o professor muitas vezes era despreparado e ainda contava com a ajuda da palmatória. Mas há, nesse momento, propostas pedagógicas de grande valor como as de Comenius, o principal pensador da educação na época.
Comenius (1592-1670), pastor e bispo dos morávios, uma ramificação do protestantismo, escreveu mais de cem tratados e livros educacionais. As suas principais idéias estão contidas em sua obra Didactica Magna. Dos numerosos assuntos que trata darei atenção especial a quatro: a finalidade da educação, o conteúdo da educação, o método e a organização das escolas.
Quanto a finalidade da educação, Comenius aponta para o conhecimento, a virtude e a piedade. O seu objetivo está em ajudar o homem alcançar a felicidade eterna com Deus. Isso só seria possível se levar em conta os desejos naturais, instintos e emoções do homem.
O conteúdo da educação para o pensador deveria englobar os principais fundamentos, as razoes e os objetivos de todas as coisas principais, das que existem na natureza e das que são fabricadas.
Comenuis advogou o uso de um método que estivesse de acordo com a natureza, procurou aplicar ao ensino o método indutivo.
Em relação à organização escolar, dividiu o ensino assim: primeiro a criança iria para a escola da infância ou escola maternal. Depois desta viria a escola vernácula, uma espécie de substituição do ginásio para aqueles que não pudessem prosseguir em nível superior. Depois vinha a escola latina, que seria seguida pela universidade. Como continuação desta, Comenius propunha o Colégio da Luz, que se dedicava ao estudo cientifico de todo e qualquer assunto.
Comenius formulou dez princípios em que se fundamenta a solidez no ensinar e no aprender;
1- Tudo que se deve estudar deve ter em vista sua utilidade na vida.
2- Nas escolas devem ser ensinadas não só as letras, mas a moral e a piedade.
3- Tudo que se ensina deve ser ensinado com a referencia a sua verdadeira natureza e origem;
4- Imprimir a idéia geral na profundidade da mente do aluno;
5- É preciso conhecer e observar as coisas em si, e não só as observações dos outros;
6-Todas as partes de uma matéria devem ser aprendidas na sua respectiva ordem , posição e relação com as demais;
7-Os estudos devem ser organizados para que tenham relação com os precedentes;
8-Saber conhecer as coisas pelas suas causas;
9-Buscar a utilidade do que se aprende;
10-O aluno deverá fazaer perguntas ao mestre.
As formulações de Comenius foram bastante notáveis para o avanço do modo de educar . Infelizmente muitas de suas idéias só foram praticadas efetivamente muito tempo depois.
No final da Idade Moderna com as revoluções burguesas , houve uma separação entre Igreja e Estado o que acarretou mais mudanças na educação , até chegar ao que ela é hoje.
CONCLUSÃO
Vimos que a educação é algo fundamental em todas as épocas de nossa história. Exaltada na Grécia antiga, restrita na Idade Média e inovada na Moderna, ela passou por fases e desempenhou um papel singular nas diferentes sociedades dessas épocas.
Vimos que a educação envolve diversos fatores, e que ora, uns são mais relevantes, ora outros. Algumas coisas ficam esquecidas, como as repressões na Idade Média, outras são sempre atuais, como os modelos platônicos e aristotélicos e ainda outras são retomadas, como o modelo clássico retomando na Idade Moderna.
Conhecer um pouco da história da educação é muito importante para nós futuros educadores.
BIBLIOGRAFIA
CAMBI, F. História da Pedagogia. São Paulo. Unesp.1999.
COMENIUS. J. A.Didática Magna: Trad. Ivone Castilho benedetti, São Paulo: Martins Fontes,1997
PLATÃO. A República. 3. ed.Trad. Carlos A. Nunes. Belém: Editora UFPA,2000.
ARIES, Philippe. História Social da criança e da família . 2. ed. Rio de Janeiro. LTC