Tinha tantos planos. Nunca os executava. Trabalhava, guardava suas economias, e deixava tudo para amanhã, para o ano que vem, ou quem sabe daqui a uns cinco anos. Amanhã iria ao salão se arrumar, ano que vem faria aquela viagem tão sonhada, e daqui a uns cinco anos engravidaria.
Casou-se cedo, por insistência do noivo. O noivado teria durado mais uns cinco ou seis anos, fosse por ela. Até o término da faculdade, até ter um reconhecimento profissional. E assim, passavam-se os meses, os anos. Já tinham quase uma década de casados, e era a única casada sem filhos da empresa. Quando a indagavam a respeito, respondia que ainda não estava na hora. Que queriam trocar de apartamento primeiro, fazer aquela viagem, fazer isso, fazer aquilo. E planejava, e tinha sonhos.
Mas o tal do destino não adia o plano que tem para cada um de nós. Ele o executa no dia e hora marcados.
Antes dos trinta, antes de concretizar qualquer coisa, antes de ter tempo para si, para a sua vaidade, para o seu lazer, para viver, para ser mãe, foi ceifado-lhe todos os sonhos, todos os planos. Tempo de sobra agora temos nós, para lamentarmos sua partida precoce.
Ela nem era tanto minha amiga. Não teve tempo suficiente para isso. Mas senti muito a sua perda...
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