sábado, 7 de novembro de 2009

COMO DESPERTAR O GOSTO PELA LEITURA


A LEITURA NO ENSINO MÉDIO: O ETHOS DE
PROFESSORES E ALUNOS EM PÓLOS OPOSTOS



Como despertar o gosto pela leitura nos alunos?Tarefa um tanto árdua diante da realidade em que estamos inseridos.
O Artigo em questão faz uma verdadeira radiografia dos alunos-leitores. Nos mostra que a grande parte acha a leitura de livros literários, uma tarefa chata e difícil. Como reverter essa situação? Isso é um trabalho para nos, os “super- professores” de Português? Ou assim como os super-heróis, poderíamos dividir essa responsabilidade com nossos colegas de outras disciplinas? Uma espécie de “Liga” em prol do bem comum? É uma questão a ser repensada, pois se todas as disciplinas trabalham também com a leitura, todas poderiam incentivá-la. Ensinar história, por exemplo com a leitura de Homero, Euclides da Cunha e Geografia com Graciliano Ramos (Vidas Secas para falar da seca, da desigualdade social e São Bernardo para introduzir questões sobre o capitalismo, que tal?). Poderia enumerar aqui uma infinidade de livros que seriam excelentes suportes para diferentes disciplinas.
Deixemos os heróis, e vamos aos vilões. Para alguns alunos entrevistados, Machado de Assis seria o líder deles. O pior de todos. Mas todos nos sabemos que o grande vilão da história não são os “livros-velhos”, que recebem esse título não só por terem sido escritos a mais de cem anos, mas também porque cheiram a naftalina de tanto tempo que ficam na estante sem ninguém sequer folheá-los. As escolas possuem biblioteca, mas os alunos não tem o hábito de freqüentá-las. Os professores alegam não terem tempo para implantar projetos de leituras que sejam capaz de despertar nesses alunos esse “gosto”, esse prazer que a literatura é capaz de proporcinar. Não possuem livros, não tem isso, falta aquilo. O que falta mesmo é vontade. Vontade de mudar esse quadro. O grande vilão é o comodismo dos professores.
Voltando aos heróis, esperamos o surgimento de um salvador: o “Empenho”. Se houver empenho por parte dos professores a situação pode ser revertida. Afinal, se em uma sala de 25 alunos conseguirmos fazer dois ou três bons leitores, já é lucro. E sei que poderemos fazer muito mais que isso. Mas como?
Um dos alunos entrevistados pelo professor comparou a leitura com a paquera: “Quando você vai conquistar a menina, você não vai direto na menina, né, pra levar um não na cara. Você vai, chega, passo a passo. Agora, pra você estudar, o professor tem que saber lidar com ele, passo a passo faz isso, passo a passo faz aquilo, o cara vai gostando, vai aprendendo.”
É justamente isso. Esse aluno matou a charada. É assim mesmo que se deve fazer. Ir devagar, devagar. Dar um passo, depois o outro. Quando perceberem, já estarão conquistados!

O artigo citado é: SOUZA, Agostinho Potenciano de A leitura no ensino médio: o ethos de professores e alunos em pólos opostos. In: III Simpósio internacional sobre análise do discurso: emoções ethos e argumentação. Belo Horizonte: Faculdade de Letras da UFMG, 2008 CD- ROM. (p. 1-9)



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